sábado, 20 de junho de 2015

"O que é um robô?"

Já estudei e ensinei robótica, e sempre tive essa pergunta como muito difícil de se responder. Para muitos qualquer coisa que faça uma determinada atividade sozinha, já pode ser um robô. Argumento que não costumo receber tão facilmente, pois vejo mecanismos que fecham portas (diga-se controlam o estado de uma porta - aberta e fechada) automaticamente com uma linha de náilon e um pêndulo metálico e não vejo muita diferença entre isso e alguns artefatos eletrônicos que controlam o estado de motores elétricos, além é claro da fonte de energia, que no pêndulo é mecânica (potencial e cinética) e no artefato eletrônico é eletricidade cujo fluxo é conduzido condicionalmente por circuitos digitais. 
O fato de uma aplicação requerer um pouco mais de conhecimento técnico sobre eletricidade, tecnologia "menos antiga" que mecânica, ainda não faz de qualquer máquina eletrônica um robô.
Ao meu ver, robôs são sistemas concebidos para atuar como pessoas, mesmo que seja em uma única atividade bem específica (A origem do termo robô veio de uma peça teatral onde escritor checo Karel Capek imaginou uma máquina que poderia trabalhar como empregada doméstica - a palavra robô é derivada do termo tcheco robota, que significa trabalho forçado”). 
Se o termo robô nasceu para descrever a ideia de uma máquina que pode fazer o que um humano faz, para entender o que é um robô pode ser necessário entender o que garante ao ser humano a capacidade de fazer essas coisas, pois um robô seria uma máquina com essa mesma capacidade.
O geneticista Francis Crick, afirmou no livro "A hipótese espantosa", que você, suas alegrias e tristezas, suas lembranças e ambições, seu senso de identidade pessoal e livre-arbítrio, não são mais do que o comportamento de um imenso conjunto de células nervosas e suas moléculas associadas. Ou seja, nós somos nosso cérebro fazendo uso de diversos sensores e atuadores biológicos, sistema de bombeamento e arrefecimento e diversos subsistemas para conversão, cogeração e conservação de energia, em uma máquina única e complexa chamada corpo humano, más seu "controle de tudo" é seu cérebro. O que há de conceitual e lógico no cérebro de uma pessoa é o que faz dela uma pessoa.
Quem concorda com isso não pode olhar para uma estrutura em formato de "braço" mecânico ou mesmo um carrinho que desvia de obstáculos e, instantaneamente, enxergar um robô. Pois se o concento de robô foi idealizado para algo que se aproxima do conceito de trabalhador humano, para que seja chamado de robô a máquina precisaria ter alguma independência ou liberdade para cultivar seu próprio conhecimento (aprender) sobre a tarefa que realiza, conhecimento esse que não precisa ser tão grandioso quanto o conhecimento humano, más que venha de experiências próprias da máquina, mesmo que conduzidas ou supervisionadas por um professor humano. 
Portanto, gosto de ver o robô como a inteligencia que traz comportamento aos mecanismos. E quanto menos inteligência possui, menos robô uma máquina é, contrariamente, quanto mais inteligente, mais robô uma máquina é, seja essa máquina mecânica, elétrica, eletrônica ou até mesmo de software. 
E essa ideia, obviamente, não é originalmente minha, apesar de ser bem lógica e intuitiva para qualquer pessoa, pensaram nela antes de mim. Alan Turing idealizou uma forma de determinar se uma máquina pode ou não pensar, chamada Teste de Turing, e o brasileiro Carlos Ferreira da Silva determinou uma maneira, denominada Fator Silva, para medir o quanto uma máquina está próximo ao ser humano. Ambos os testes estão relacionados ao livre raciocínio da máquina.
Portanto, só posso concluir que robôs não são apenas "coisas" com aspectos físicos semelhantes aos de um ser humano (braços, pernas, cabeçar, etc.). Nem tão pouco algo que segue uma receita de como abrir uma porta, acender uma luz, desviar ou seguir marcas ou objetos, sem a capacidade de se adaptar a intempéries imprevistas na receita, pois isso isso requer um mínimo de "reflexão virtual".

Notícias como a da Rede Neural Artificial que "pode sonhar", desenvolvida pela Google (http://www.tudocelular.com/google/noticias/n56458/rede-neural-google-aprende-reconhecer-imagens.html) ou do software que passou pelo teste de turing (http://exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/computador-engana-humanos-e-passa-pelo-teste-de-turing), só me fazem enxergar a computação de informações (com informática aplicada a IA) como a principal ferramenta para a robótica, ou seja, "no frigir do ovos", a mecânica e/ou a eletrônica são apenas plataformas para o verdadeiro robô: o software "inteligente".

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